No dia 28-08-2021 fiz o meu voo mais longo praticamente 3 dígitos, os primeiros 100kms. Descrevo a seguir o voo.
O teto previsto situava-se nos 2500m a descolagem da Azinha é a cerca de 1200m, havia nuvem com fartura, uma confluência bem marcada.+- 15 Pilotos na descolagem, vento orientado e com boa intensidade. Não fui dos primeiros a descolar, tinha um manobrador com a capa esgaçada que tive que substituir. As térmicas não estavam fáceis de entender e acabei por me atrasar ficando na descolagem só acompanhado de outro piloto que era o António Aguiar. Tinha pensado sair da Azinha para cross quando fizesse 2000m, a primeira térmica consistente que apanhei colocou-me nos 1800m achei que era pouco e passado poucos minutos já andava abaixo dos 1200m a penar e a pensar que não devia ficar por ali muito tempo já se começava a sentir o efeito maquina de lavar e já se acumulava algum stress de demorar tanto a fazer-me ao caminho ainda por cima com o Vítor Baia na descolagem, estava sujeito a ter uma lição forçada de como devia voar térmica.
Já tinha tentado de várias maneiras agarrar uma ascendente mas as térmicas estavam cada vez mais deitadas que praticamente tive que fechar a volta a fazer espiral dentro da térmica para subir, quando me apanhei nos 1800m mais uma vez nem sequer pensei já era melhor um pinheiro do que ficar por ali. Fui direito a confluência a Norte e foi sempre a subir, paisagem fantástica, queria tanto subir que acabei enfiado dentro de uma nuvem, aguenta que já passa e já voltas a ver o chão.
Com o vento praticamente de Sul fui avançando meio de lado a rumar a Este e fui apanhar uma térmica no parque eólico de Gonçalo que tinha aerogeradores virados a Sul e outros virados a Norte, clara indicação de ascendente no meio.
Passei o Vale da Estrela e reparei que o Aguiar ainda vinha mais atrasado que eu mas rapidamente me apanhou deu umas aqui outras ali e eu a descer acabou por marcar uma térmica mesmo a minha frente e que jeito deu. Enrolamos a mesma térmica e como é normal ele ficou mais alto e perdi-o de vista e nem sabia que direção tinha tomado senão o mais era ter ido para o chão com ele.
Fiquei sozinho e ao lado esquerdo estava a Guarda e pensei que era hoje que não ia parar a Linhares e que ia passar a Guarda. A confluência estava apontadinha a Este o vento era ainda de Sul, a Norte da confluência muito sombreamento das nuvens, zona a evitar. Fui a zerar e a derivar para Sul aliciado pelo sol e pelas grandes aterragens na zona de Santana da Azinha.
Não estava a apanhar uma ascendente em condições mas estava lá tudo Sol, nuvens, vento …tinham que estar por lá. Finalmente engatei uma que me levou aos 2000m e ganhei mais um bocado de confiança que talvez ainda fosse cedo para usar aqueles campos grandes. Por cima do Marmeleiro um térmicão até as barbas da nuvem e no radio apareceu o Marcos Gomes já aterrado por baixo, a incentivar-me a continuar.
A partir deste ponto foi o que na teoria já tinha visto fazer num voo XC, saltar de térmica em térmica por debaixo da nuvem com a sombra á esquerda e o sol á direita. O vento começou a rodar para NW e finalmente deixei de ver 30-40km/h no vário para passar a 50-60km/h. Foi a primeira vez que por aqui passei e as transições foram sempre feitas de aldeia em aldeia com o alcatrão por baixo se tivesse que esperar muito pela recolha ao menos que fosse numa tasca. Nem sabia quando tinha entrado em Espanha mas vi umas praias fluviais no Rio Côa que dão vontade de aterrar, mas pela falta de sinal de telemóvel no live que voltou passados uns minutos com uma povoação grande á minha esquerda pensei que pelo tamanho deves ser Cidade Rodrigo.
Ainda enrolei uma ou duas térmicas com 1 ou 2 abutres. Fiz 2700m numa destas térmicas com os abutres e comecei uma transição que levava diretamente para cima de uma barragem, a barragem do Águeda, lá fui a tirar medidas para não passar muito baixo em cima da barragem, o meu vario ainda tinha a ultima manga do encontro de Linhares ativa e a descolagem tinha sido em Seia, a distancia que tinha era para esta descolagem, calculei que seriam uns 10kms de diferença entre descolagens por isso se queria fazer 100kms tinha que colocar o vario a marcar 110kms pelo menos. È das imagens que mais tenho pena de já não ter bateria na go-pro é a passagem em cima da barragem e o térmicão que lá estava, antes de apanhar a térmica sentia-se o vapor da água a subir.
Outra vez 2000 e não sei quantos, passei por cima da povoação de Zamarra que tinha marcado como aterragem caso não tivesse apanhado a térmica da barragem. Sempre a procura de estradas de alcatrão e aldeias a primeira que vi foi á direita La Atalaya e vi uma cordilheira enorme, com umas grandes paredes …hum é melhor não teres ideias deixa lá ficar o monte para outra oportunidade, vi uma estrutura no alto de cume e pensei cheira-me á Penha de França sem nenhuma certeza. Fiquei baixo na Atalaya fiz uma procura nos campos para aterrar marquei um e fui ver do ar a povoação ao modo de turismo apanhei com um rotor de uma térmica que me fechou meia asa e nem acreditava que ainda voava só com metade do pano, duas bombadas no manobrador esquerdo para libertar a orelha que asa tinha e fiquei praticamente dentro da térmica que me tinha provocado o assimétrico é claro que a minha vontade de aterrar ali rapidamente passou!
Tinha um monte grande à direita e um monte pequeno em frente e estava mais uma vez a enrolar uma bela térmica com um belo estradão de alcatrão por baixo. Fui seguindo a estrada já com a intenção de aterrar porque o vario já marcava mais de 110kms, com pilotos da equipa aterrados não era minha intenção prolongar a festa no ar começava a fazer mais sentido fazer a festa no chão em grupo do que a voar sozinho ou com os abutres.
Acabei por aterrar já com vento de frente e sem saber a uns 3kms do Luis Nascimento que não se deixou enganar e ficou mesmo ao lado das piscinas municipais de Alba de Yeltes, tudo fresco, a água e a cerveja.
Os grandes voos do Nuno Virgílio e do Pedro Patrício cruzam-se com meu na zona de Tenebrón e depois seguem e ficam entre Piedrahita e Avila se tivesse voltado ao eixo W-E e fizesse mais 1h que era perfeitamente possível daria uns 150kms.
O que mais me admirou não foi a distância voada, foi o tempo que estive no ar mais de 5h, normalmente ao fim de 3h/3,50h já começo a precisar de um WC e neste dia ainda fazia mais 1h de certeza.
A recolha demorou uns 45min tempo de dobrar o equipamento e apreciar o dia e a paisagem, jantamos pelo caminho e a meia-noite estava a passar Coimbra, normalmente nestes dias é bem mais tarde. Este voo não me faz sentir um grande piloto porque não o sou, é um voo que está ao alcance de qualquer piloto com qualquer asa e que tenha também um bocado de sorte , senti-me foi mais humilde e agradecido por o poder ter feito e ser-me permitido apreciar toda aquela linda paisagem de lá de cima e de ter aterrado em segurança.
Track do meu voo sobreposto com parte do Nuno Virgílio (roxo) e do Pedro Patrício (multicor).
Saida da Azinha, Aguiar (azul), Marcos ( Amarelo) Amador (verde)
Os mesmos pilotos na segunda parte do voo.
Saída da Azinha, Arnold (Roxo), Jaafar(Laranja) Luis Nascimento (verde)
Os mesmos pilotos na segunda parte do voo.
Vídeo do voo disponível no youtube :
https://youtu.be/bm6jEoLpWL8
Canal do Youtube:
https://www.youtube.com/user/ct1foh





















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